Todo estudo sobre cores e seu comportamento para impressão offset, é feito sob condições ideais, as quais não são encontradas normalmente nas gráficas. Nesse contexto, vamos enumerar alguns pontos e suas consequências para o impresso, procuramos palavras simples, com o objetivo de ajudar àqueles que não são necessariamente profissionais gráficos.
No processo de impressão plano (aquele que se faz com papéis cortados, folha à folha e não em bobinas), existem inúmeras variáveis que podem provocar distorções nas cores: tinta, papel, pressão de transferêcia, água, temperatura do ambiente, umidade, fadiga do operador, problemas mecânicos, ganho de ponto, etc.
O rolo umectante umedece a matriz de alumínio e os rolos entintadores depositam a tinta somente na área de Grafismo da matriz.
Através de contato e pressão, a tinta e parte da umidade da matriz é transferida para a blanqueta ou cauchú que é uma lona revestida de borracha.
O cauchu transfere a tinta e umidade para o substrato (que pode ser papel ou outro material) através de pressão entre a borracha e o cilindro de impressão. Tinta e umidade são depositados no papel. A imagem é formada por pontos, chamados de retícula.
3 Mitos :
Prova de prelo representa fielmente as cores que serão impressas.
Prova digital não representa corretamente as cores.
A tabela PANTONE© é absoluta !
Variáveis que afetam as cores :
Papel
Perfil ICC
Tintas
Tabela PANTONE©
Monitor x Prova de cor x Offset
Luz de análise
Secagem e oxidação das tintas
Alteração de cores por acabamento
Papel – Utilizado para a impressão e prova
Imagine que a prova de prelo ou prova digital, foi feita em um determinado tipo de papel.
A impressão do trabalho provavelmente será feita com outro lote. Ainda que seja o mesmo fabricante, ou classificação (offset, couché, triplex, duplex), esses papéis poderão apresentar diferenças de tonalidade e brilho, o que altera o resultado das cores, pois o papel é o “branco” do impresso e nele consiste a base de início das cores.
Portanto, uma prova fiel será obtida somente quando a prova, seja ela digital ou prelo, for efetuada com base no mesmo papel. Exatamente aquele que será usado para imprimir o trabalho.
Voltar ao inicio
Fator de correção, também conhecido por: perfil ICC
Através de softwares específicos e impressoras adequadas é feita uma “simulação” do resultado da impressão off-set. O resultado obtido, pode ser bem próximo ao resultado da impressão, mas não é exatamente igual, pois o fator de correção é uma simulação.
Cada máquina off-set produz um resultado. Ao microscópio, o resultado de cada máquina é individual, tal como, a biometria humana. Cada máquina produz um “ganho de ponto”, uma distorção da imagem e uma abertura do papel. Essas diferenças são imperceptíveis aos nossos olhos, porém, no trabalho final, após a impressão de todas as cores sobre o papel, podemos perceber facilmente nuances de cores e tons diferentes entre o mesmo impresso, realizados por máquinas e gráficas distintas.
Para alguns clientes, essas diferenças são confundidas como falta de qualidade ou defeito do produto, provocado pelas gráficas que “tentaram” reproduzir um trabalho, o que demonstramos não ser exatamente verdade.
Por mais moderna que seja uma gráfica, é um grande desafio acompanhar o trabalho feito por outra, com extrema exatidão.Possivelmente pode ser alterado o modelo do equipamento, a marca da tinta, o lote do papel, entre outros.
Tintas
Cada fabricante de tinta off-set possui seus fornecedores de matéria prima, com determinado tipo de moagem e determinadas especificações, para que sua tinta seja ligeiramente melhor ou ao menos, tenha um diferencial em relação aos demais fabricantes. Portanto, é de propósito que tintas sejam diferentes entre as marcas e fabricantes do mercado.
Sendo assim, as tintas não são exatamente iguais.
Existem fabricantes em que a mesma cor sofre pequenas distorções, em lotes diferentes. A “culpada” , segundo os fabricantes, é a matéria prima usada na fabricação das tintas.
Da mesma maneira que o papel, para que a prova de cor seja fiel, teríamos que usar a mesma tinta e ainda assim, de um mesmo lote. Tanto para prova quanto para a produção do material. E isso normalmente não é possível.
Tabela PANTONE©
A Tabela PANTONE©, não é absoluta. Ela é um parâmetro que não pode ser desprezado, mas para um observador mais atento, fica evidente que não é possível exigir fidelidade absoluta, com tabelas PANTONE©.
É comum o cliente usar uma tabela PANTONE©, escolher uma determinada cor, solicitar o trabalho à gráfica e depois se queixar da cor resultante em um trabalho. Pior quando o cliente escolhe a cor PANTONE©, no monitor de seu computador, chega a ser cômico. Mas como o cliente é o REI, o prejuízo normalmente fica para a gráfica.
Nem sempre uma mesma formulação, resultará em cores exatamente iguais. Os fatores que podem influenciar no resultado de uma formulação PANTONE©, usando as famosas “formula guide”, novamente são muitas.
Monitor x Prova de cor x Offset
O Monitor de vídeo, usa o padrão de cores RGB, ou seja, combina entre vermelho, verde e azul, para obter todas as cores, desde o preto até o branco. Além disso, ele emite e refrate a luz.
As impressoras de prova, normalmente usam de seis a oito cores como bases, para formar as demais. Seu sistema de impressão pode ter precisão de µ (microns), a cor do impresso é perceptível apenas por refração, pois o papel não gera luz (pelo menos até hoje….).
Já na impressão Off-set, as imagens “coloridas” são formadas normalmente pelo padrão CMYK, ou seja quatro cores básicas. Através da sobreposição de pontos de retícula, é feita a ILUSÃO para que o olho humano perceba as cores e as imagens. As cores e imagens são formadas por pontos de grande dimensão, se comparados com a escala de µ (microns). CMYK, indica que foram usadas as cores: ciano, magenta, amarelo e preto.
A impressora de provas e o monitor, tentam “imitar” a impressora offset. Nunca o contrário…
Faça o teste: Altere o brilho e a saturação de seu monitor. As cores mudaram! Assim não há como o cliente verificar cores em seu monitor e depois comparar com um impresso. As cores do monitor não são as mesmas que servirão de parâmetro para a impressão em gráfica.
Luz de análise
Um outro importante fator para diferenças em cores é a luz de análise. Observar cores sob fontes de luzes diferentes, resultam cores diferentes. Vamos exemplificar luzes diferentes como: Luz natural (sol), Luz fluorescente tubolar, luz incandescente, luz eletrônica amarela, vapor metálico, vapor de sódio. Cada um desses tipos de fontes de luz, emite luz de comprimentos diferentes, portanto veremos cores ligeiramente diferentes.
Existe a luz mais adequada para cada aplicação, inclusive a mais apropriada para analise de cores.
Voltar ao inicio
Secagem e oxidação das tintas
Um impresso não sai da off-set completamente seco. A tinta off-set leva tempo para oxidar e fixar definitivamente ao substrato (papel). Assim que a impressão é realizada existe um brilho vivo e reluzente. Uma vez que a tinta comece o processo de oxidação esse brilho sofre ligeira degradação.
Um modelo fornecido pelo cliente ou mesmo a prova, poderá não ser reproduzida com fidelidade absoluta de cores, uma vez que a cor durante a impressão (aquela que o impressor vê) sofrerá uma alteração natural durante a secagem da mesma.
Voltar ao inicio
Alteração de cores por acabamento (plastificação, verniz, bopp)
O processo de plastificação com polietileno ou aplicação de Bopp é feito à quente. A alta temperatura em que esse material é fundido ao papel, somado com a cor da película, altera sensivelmente a cor do impresso.
Um vermelho vivo, se torna apagado ao aplicar BOPP fosco. Portanto o controle de cores, para impressos que irão receber qualquer tipo de cobertura não é preciso. O resultado pode ser muito diferente daquele esperado pelo cliente.
É comum os clientes, mesmo agências de propaganda, não considerar esse fator e se surpreenderem negativamente, com o resultado do trabalho.
Uma quantidade mínima de gráficas no Brasil, possuem instrumentos simples para medição de cores, como densitómetros de tinta, e uma quantidade ainda menor, possuem integração entre o software workflow (que gerou as chapas em CTP) e as máquinas offset, os chamados arquivos CIP e JDF.
Dessa forma, é fácil encontrar em praticamente todos os trabalhos realizados, distorções de cores. Elas não devem afectar a qualidade do produto ou prejudicar o desejo do cliente. As distorções devem ser “pequenas” e em geral não podem ser medidas facilmente.
A igualdade entre a prova e o impresso, tende a buscar o consenso, entre o cliente e a gráfica, entre o papel e a tinta, entre os tons do trabalho e todas as demais variáveis.